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12 de outubro de 2009

Quartinho de vida.

Um final de tarde.
O céu está branco e parece que irá chover. A mangueira que posso ver da minha janela dança com o sopro doce e frio dos ventos.
Olhando melhor vejo que há várias nuvens, algumas cinzas quase chumbo, outras ainda estão branquinhas com pequenos azuis do céu por trás. Alguns estrondos de trovoadas distantes entram pelo meu quarto fazendo com que o meu estado de tédio alegre fique mais agudo.
No meu mundo, se é que posso chamar assim este pedacinho que é meu, que tem eu. Meu quarto, onde choro minhas lágrimas de amor, de medo e amargura, onde desfaleço meu ódio e cultivo minha alegria, onde eu morro todas as noites para na manhã que vem eu renasça, onde eu descanço minha vida material e espiritual, onde eu coleciono minhas nostalgias da vida e eu mantenho minha bagunça aconchegante. Onde tenho vontade de passar horas e dias, sonhando e rindo, viajando e realizando. É aqui que eu tenho minhas melhores inspirações e meus piores pensamentos. É aqui que eu vivo a luz de velas, na penumbra luxuosa de ser e na delícia amarga de viver.
Estranho falar com tanta emoção de apenas um lugar, apenas um quarto. Um quadrado com paredes geladas e sem graça. Mas são em quartos que metade das nossas vidas acontecem. Provavelmente eu fui gerada em um quarto no qual as pessoas também deviam amar.

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