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19 de novembro de 2009

Apenas um sonho.

O utopicamente continua dormindo, mas como ele também dorme, ele também pode sonhar e isto é apenas um sonho, não leve tão a sério.
Apesar do cansaço diário, do estress de cada trabalho, do tempo louco de cada estação, do engarrafamento nervoso de cada horário, ainda acontecem flashs de filosofias que vêm de cada sinuoso e complexo pedaço interno do ser.
Enquanto caminho e sou molhada por gotas de água que mais parecem estar sendo peneiradas ao cair do céu, meus olhos se voltam para o fim de tarde cinza intercalada por borrões azuis e raios sublimes de luz que aponta ir embora. Sinto as pernas arderem do cansaço e o joelho às vezes até tremem por parecer perder a força. Ainda ando, pois ainda faltam pelo menos 5 horas para as atividades "obrigatórias" do dia acabar.
Senti-me bem apesar da chuva, do frio e da fome que batia levemente em meu estômago vazio. A água até que não estava tão gelada, mas era tão fina que parecia cortar quando chegava rápida em minha face.
Creio eu que este momento de êxtase estranho durou por volta de 10 minutos, interessantemente relembrou-me alguns dias pingados em minha vida.
Não sei ao certo o motivo pelo qual senti essa sensação, talvez para relembrar-me que a vida é um ciclo sem fim, e que as coisas mesmo diferentes acontecem novamente e que somente às vezes percebemos isto.
Não senti como se fosse nostalgia, nem como um suposto "dejá vu", na verdade não senti como se fosse nada. Isso, exatamente isto, nestes minutos eu não senti nada e gostei de não sentir nada.
Gostei da neutralidade espontânea que sempre procurei alcançar, que chegou e durou apenas um momento. Conformei-me em saber que eu possa senti-la novamente somente daqui uns dez anos.



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