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25 de abril de 2010

Fresta

    Em meus momentos escuros
    Em que em mim não há ninguém,
    E tudo é névoas e muros
    Quanto a vida dá ou tem,

    Se, um instante, erguendo a fronte
    De onde em mim sou aterrado,
    Vejo o longínquo horizonte
    Cheio de sol posto ou nado

    Revivo, existo, conheço,
    E, ainda que seja ilusão
    O exterior em que me esqueço,
    Nada mais quero nem peço.
    Entrego-lhe o coração.

    Fernando Pessoa

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