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21 de outubro de 2010

O livro de todos os prazeres.

'Era o começo — de um estado de graça.
Só quem já tivesse estado em graça, poderia reconhecer o que ela sentia. Não
se tratava de uma inspiração, que era uma graça especial que tantas vezes acontecia aos
que lidavam com arte.
O estado de graça em que estava não era usado para nada. Era como se viesse
apenas para que se soubesse que realmente se existia. Nesse estado, além da tranqüila
felicidade que se irradiava de pessoas lembradas e de coisas, havia uma lucidez que Lóri
só chamava de leve porque na graça tudo era tão, tão leve. Era uma lucidez de quem não
adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Que não lhe perguntassem o que,
pois só poderia responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.'
C.L.


Depois que me deliciei mais uma vez com as complexas palavras de Clarice Lispector, desta vez faladas e pensadas pela personagem Lóri e seu amante Ulisses, é que pude realmente entender o porquê este livro tem dois títulos 'Uma aprendizagem' ou 'O livro dos prazeres'. Se eu tivesse que escolher um dos dois nomes para ser o oficial, não sei qual escolheria. O romance intrigante é de um tamanho aprendizado totalmente prazeroso, mesmo com a dor de ser 'ser humano' e o sofrimento pelo simples fato de estar vivo, o prazer obtido ali é longo e quase infinito.

Com certeza, um dos melhores livros de Clarice Lispector que já li, pode ser talvez por eu conseguir ver-me em muitos trechos e palavras, mas ele é independentemente um ótimo livro, e aconselho a todos que gostam de sua literatura a lerem este romance sofrido e manso.
Acho que ainda o devo ler novamente, cheguei à conclusão de que os livros de Clarice foram feitos para se ler mais de uma vez.

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