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21 de setembro de 2013

Das pedras.



Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada, 
um leito,
uma casa, 
um companheiro. 
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia. 
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.


Entre pedras que me esmagavam
levantei a pedra rude
dos meus versos.
Cora Coralina (Meu Livro de Cordel, 8. ed., p. 13, 1998).

Cidade do Goiás.










31 de agosto de 2013

Moonrise Kingdom avec Françoise Hardy!


Un peu de amour pour nous!! <3 p="">

10 de agosto de 2013

Não me desvencilho dos poetas. É mais fácil viver o vazio da existência que a vida sem as palavras individuais.
Os campos distantes são memórias, os pastores ignorantes são felizes por não precisarem das horas. Hora maldita que me poda a vida. 
O sublime céu azul me aclama, a essência me chama.
O mar é longe, apesar de presente, grita por falta de mim. O oceano das  chamam-me de volta. 
Sinto irritação da vida. Ela roça como arame que machuca, arde às vezes como quem quer matar e deixar vivo. 
As palavras me faltam por ter muito a dizer. Irrito-me por ter, por não ter, por poder, não poder, por estar aqui ou por não estar em lugar algum. 
Posso eu um dia ser, o que realmente sou? 
Sou vazia, sou pouca. Busco o medíocre esquecimento das coisas minúsculas.
Tenho medo do que falar. Tenho receio do que pensar. O que será que vão pensar destas palavras ditas no silêncio da necessidade? Pergunto-me a mim, o que será dos viventes quando a cegueira passar. 
As palavras segundas já não me bastam, é necessário fazê-las. Arranca-las de dentro da concha como se fosse bicho. Bicho vivo que come, respira e caga. 
Arranco-as como posso. Dói tirá-las. Parece parto de coisa que não chora. 
Há conturbações entre o processo de retirancia, palavra inventada, assim como a vida que vivo. 
Vivo a falsidade que posso. Não posso ainda fingir que sou satisfeita, até na mentira, ainda não tenho o que finjo querer. O que quero eu?
Perdi-me. Sou duas? Qual dos eus? Tenho outro eu?
Esquecido como o sossego, que existia há alguns anos atrás e hoje perde-se entre os deveres, há o que sou de verdadeiro. É preciso escondê-lo, como quem se esconde do frio no inverno, tem de sobreviver. 


7 de agosto de 2013

Um amor eterno...


...pelos lugares do mundo que fazem tudo valer a pena.












29 de julho de 2013

Dimanche du Soleil!!











Domingo de sol, o dia chama, a rua manda.
Passo para lá, passo para cá, vem e vão as pessoas e amanhã já é segunda.
A flor da seca colore, o que já perdeu a cor. O céu azul, salva-nos da secura completa,
contida dentro de tudo e de todos.
Foi-se então, mais uma semana.

Two for the road.



25 de julho de 2013

12 de julho de 2013

O guardador de rebanhos - XXXV

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.

Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.
Alberto Caeiro

O guardador de rebanhos - XXXVIII

Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz de meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia o olham como eu.

E nesse puro momento
Todo limpo e sensível
Regressam lacrimosamente
E como um suspiro que mal sentem
Ao homem verdadeiro e primitivo
Que via o Sol nascer e ainda não o adorava.
Porque isso é natural - mais natural
Que adorar o ouro e Deus
E a arte da moral...

Alberto Caeiro

3 de julho de 2013

Les fleurs!

Um pouco de flores, pois estou cheia das palavras!






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