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29 de dezembro de 2009

Use filtro solar!

E agora só nos restam 3 dias dos 365 de um ano inteiro, para refletirmos sobre nossas atitudes, mudanças, conquistas, evoluções e amadurecimentos. Agradeça a cada minuto vivido, a cada dia acordado. Mentalize um ano melhor em todos os aspectos e principalmente além de mentalizar, faça. Faça do teu ano o ano das vitórias e crescimentos, mas não se esqueça que neste ano você não está sozinho. Há milhões de pessoas correndo atrás do mesmo objetivo que você, a felicidade. Não atropele a felicidade alheia para conquistar a sua. Abra mão de 'necessidades' banais ou gostos egoístas. Seja feliz fazendo o próximo feliz também.


Feliz 2010!

"Morte sem fim, para nós!"

Oh, que alegria extrema
Que avidez em usar
o ar que respiramos,
a boca, o olho, a mão.
Que ânsia penetrante

de nos gastarmos totalmente

em uma única explosão de riso.
Oh, esta morte insolente,
afrontante
que nos assassina de longe,
com o prazer que temos em morrer
por uma xícara de chá...

por uma leve carícia.

José Gorostiza


21 de dezembro de 2009

Marian Keyes

Hoje falo um pouco sobre a escrito irlandesa Marian Keyes, autora de vários livros que por sinal fazem muito sucesso entre as mulheres (brasileiras, irlandesas ou não).
Marian é graduada em Direito porém nunca excerceu a profissão. Sua jornada como escritora começou depois de uma luta contra o alcoolismo. Seu primeiro sucesso foi o livro "Melancia". Depois do estouro deste, foram lançados mais sete livros no Brasil:
  • Melancia (Watermelon) - 2003
  • Férias (Rachel's Holiday) - 2004
  • Sushi (Sushi for Beginners) - 2004
  • Casório (Lucy Sullivan is getting married) - 2005
  • É Agora... ou Nunca (Last Chance Saloon) - 2006
  • Los Angeles (Los Angeles) - 2007
  • Um Best Seller Pra Chamar De Meu (The Other Side Of The Story) - 2008
  • Tem alguém aí? - (Anybody Out There?) - 2009
O interessante das estórias de Marian Keyes é que eles se unem a cada livro. Os livros não são sérias e nem saga, porém, cada livro conta a história de uma irmã da família Walsh, exceto alguns livros que são histórias diferentes, porém seguindo a mesma linha das hitórias de mulheres que recebem uma surpresa não muito agradável, mas no final sempre se dão bem.
A leitura de Marian é gostosa e interessante, as leitoras de todo o mundo se identificam com os acontecimentos, pensamentos, medos, filosofias destas mulheres e do dia-a-dia de uma típica família irlandesa.




16 de dezembro de 2009

Adeus ano velho!

Há tempos as palavras me fogem e por mais que eu corra atrás delas, elas se escondem de mim parecendo não querer fazer parte da minha cultura. Um ápice de nada me surpreendeu, as atividades rotineiras me cegaram e me ensurdeceram fazendo com que eu não veja nem ouça a sutileza de uma poesia e a melodia de uma música. Enquanto as coisas vagarosamente se acalmam meu tempo passa, o nosso tempo passa e finalmente chegamos no 365° dia do ano.
Posso caracterizar meu ano de 2009 como um ano "intenso". Intenso de acontecimentos, conhecimentos, lágrimas, sorrisos, começos e fins. Um ano de intenso trabalho acadêmico e profissional, um ano de amadurecimento.
E finalmente ele chega ao fim, e agora diante do começo de mais um ano estamos resgatando nossas esperanças, recarregando nossas baterias para esperançosamente acharmos que este ano será melhor que o ano que passou. Espero ansiosamente que este ano realmente seja melhor do que o ficou, porém, não vamos nos iludir por que a cada mudança há uma dificuldade e o que muda é forma que vemos e encaramos estas dificuldades.

3 de dezembro de 2009

No words

Este momento pede somente o silêncio gélido da noite clara iluminada pela lua branca que ainda brilha no céu.
Um conflito interno que não pede palavras, nomes e conselhos. Não pede nada a não ser a solidão eterna dos sentimentos desconhecidos e desesperados.
Quero um sono eterno enquanto precisar e acalanto das estrelas distantes. Quero que haja explosões de pessoas e que o silêncio da mortalidade imortal acalme meu ser.
Talvez eu esteja cansada, cansada do que não é meu e do que não sou eu. Desculpe-me, mas não consigo me acostumar com isso tudo que é tudo mas tão pouco para mim.

30 de novembro de 2009

Necessidades humanas

Há picos na vida no qual somos obrigados a enxergar que precisamos um dos outros para a sobrevivência, não como parasitas e dependentes mas como complementos e extensões. Algumas pessoas são nossas extensões que não conseguimos manter certo contato, pode ser que por haver características fortes em comum os afastem um do outro, ou simplesmente por princípios e "santos" não baterem um com o outro. Algumas extensões são para a vida, uma pessoa não é uma pessoa sozinha. Uma pessoa não é apenas uma pessoa, é um ser. Uma pessoa sozinha, é um apenas um corpo material semi- vivo, ausente de sentimentos e formas. Infelizmente ou não é necessário ao ser humano amar, interagir, olhar nos olhos, ser enganado, ser amado, ser magoado e ser "acarinhado". É necessário ao ser humano ter um parceiro de vida, seje ele um amigo ou um amor, ou pode ser um amor amigo, que muitas vezes não acontece. Percebi a necessidade de um amor amigo, e percebi também que quando é amor é amigo e quando é amigo, é amor também.

19 de novembro de 2009

Apenas um sonho.

O utopicamente continua dormindo, mas como ele também dorme, ele também pode sonhar e isto é apenas um sonho, não leve tão a sério.
Apesar do cansaço diário, do estress de cada trabalho, do tempo louco de cada estação, do engarrafamento nervoso de cada horário, ainda acontecem flashs de filosofias que vêm de cada sinuoso e complexo pedaço interno do ser.
Enquanto caminho e sou molhada por gotas de água que mais parecem estar sendo peneiradas ao cair do céu, meus olhos se voltam para o fim de tarde cinza intercalada por borrões azuis e raios sublimes de luz que aponta ir embora. Sinto as pernas arderem do cansaço e o joelho às vezes até tremem por parecer perder a força. Ainda ando, pois ainda faltam pelo menos 5 horas para as atividades "obrigatórias" do dia acabar.
Senti-me bem apesar da chuva, do frio e da fome que batia levemente em meu estômago vazio. A água até que não estava tão gelada, mas era tão fina que parecia cortar quando chegava rápida em minha face.
Creio eu que este momento de êxtase estranho durou por volta de 10 minutos, interessantemente relembrou-me alguns dias pingados em minha vida.
Não sei ao certo o motivo pelo qual senti essa sensação, talvez para relembrar-me que a vida é um ciclo sem fim, e que as coisas mesmo diferentes acontecem novamente e que somente às vezes percebemos isto.
Não senti como se fosse nostalgia, nem como um suposto "dejá vu", na verdade não senti como se fosse nada. Isso, exatamente isto, nestes minutos eu não senti nada e gostei de não sentir nada.
Gostei da neutralidade espontânea que sempre procurei alcançar, que chegou e durou apenas um momento. Conformei-me em saber que eu possa senti-la novamente somente daqui uns dez anos.



9 de novembro de 2009

Descanso

Assim como todo ser humano e todo ser vivo o "utopicamente real" precisa de um leve descanso. Não será eterno, mas será por tempo indeterminado. Boa noite e bons sonhos! Sugestões ou críticas pamela.raraujo@gmail.com



4 de novembro de 2009

Acalanto



Dorme minha pequena
Não vale a pena despertar
Eu vou sair
Por aí afora
Atrás da aurora
Mais serena

Chico Buarque

30 de outubro de 2009

Voltas da vida.

Existem dias que não parecem dias. Mais parecem anos.
Há fases de vacas gordas mas também há fases de vacas magras.
Há épocas em que nossas vidas parecem estar em total desequilibrio com o universo. Ele não conspira contra nós, mas está andando um compasso a frente.
Estas épocas nos desorientam e desnorteiam, cegam, dá sono e cansaço.
Essas fases passam, sim! Graças a Deus!
Mas são longas enquanto duram.
Cansa. Cansa o corpo e o espírito. Os prazeres diários de simplesmente acordar simplesmente desfalece e some, o ânimo de andar e sorrir diminuem e por vezes nem existem.
Será isto consequência de que?
Creio eu que da vida competida dos dias de hoje.
Enquanto tentamos fazer dos dias e das horas dinheiro, o tempo passa o corpo cansa e a alma envelhece.
Enquanto a vida perde um pouco da vida, corremos atrás de uma utopia da vida rica e milhonária.
Enquanto corremos atrás dessa utopia que pode ser real (com o tempo), perdemos uma utopia irreal que é o simples fato de viver e sorrir, de viver sem sentir dor, de viver com vontade de viver e vontade de acordar.
Vivemos isso com o pensamento de sorrir para a vida depois de ter vivido algumas décadas mas com poucas décadas para ainda viver.

29 de outubro de 2009

"Des-inspiração"

"Porque, às vezes, acordar tem lá suas muitas desvantagens."

Clarice Lispector

22 de outubro de 2009

Lembrança triste.


    Vaga, no azul amplo solta,
    Vai uma nuvem errando.
    O meu passado não volta.
    Não é o que estou chorando.

    O que choro é diferente.
    Entra mais na alma da alma.
    Mas como, no céu sem gente,
    A nuvem flutua calma.

    E isto lembra uma tristeza
    E a lembrança é que entristece,
    Dou à saudade a riqueza
    De emoção que a hora tece.

    Mas, em verdade, o que chora
    Na minha amarga ansiedade
    Mais alto que a nuvem mora,
    Está para além da saudade.

    Não sei o que é nem consinto
    À alma que o saiba bem.
    Visto da dor com que minto
    Dor que a minha alma tem.

    Fernando Pessoa, 29-3-1931

Sonhar o que?

Põe-me as mãos nos ombros...
Beija-me na fronte...
Minha vida é escombros,
A minha alma insonte.

Eu não sei por quê,
Meu desde onde venho,
Sou o ser que vê,
E vê tudo estranho.

Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.

    Fernando Pessoa

Neura?

Se o desenvolvimento da civilização é tão semelhante ao do indivíduo, e se usa os mesmos meios, não teríamos o direito de diagnosticar que muitas civilizações, ou épocas culturais - talvez até a humanidade inteira - se tornaram neuróticas sob a influência do seu esforço de civilização?

Sigmund Freud

Dandelion.





21 de outubro de 2009

Saudade de Neruda


...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Pablo Neruda

Timidez.


"A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão."

Pablo Neruda

20 de outubro de 2009

O mundo de Vicent.

A arte torta e complexa de Vicent Van Gogh nos mostra o quanto o seu "eu" era bagunçado, torto, complexo e bonito. A mistura de características antônimas e sensações quase desconfortáveis e aconchegantes, nos faz notar que Van Gogh era homem de alma grande e se perdia entre luas e estrelas, campos de trigo e girassóis, rios e cidades, ruas e flores, quartos e sapatos. Alma grande que não se contentava somente em pensar, o pensar era pouco para o tamanho do mundo existente dentro de si. O pensar o enlouquecia por não poder fazer de seus pensamentos atos, ou talvez a necessidade de se fazer calar a mente e o desespero imediato de se fazer neutro o fazer tomar atitudes e tentativas frustadas e inutéis.
Em ti guardava o mundo, o seu mundo e o
nosso. E eram mundos demais para ele guardar dentro de si e sozinho.
Vicent Van Gogh nasceu na Holanda em 30 de março de 1853 e faleceu no dia 30 de julho de 1890.

19 de outubro de 2009

Um amor atemporal

Te amo por todas as flores desabrochadas na primavera.
Te amo por cada gota molhada de chuva e por cada relva verde que cobre o chão marrom das terras dos jardins.
Te amo por toda brisa fresca de verão e por cada folha seca de outono.
Te amo por todos os pássaros que voam livres no mar do céu azul.
Te amo pelas abelhas que colhem o néctar mais puro e doce de cada única flor.
Te amo por todos os anjos que nos rodeiam com toda sua magia e graça.
Te amo por todo o mistério infinito do universo.
Te amo por todas as histórias do mundo, por todos(as) os(as) criadores(as), por todos os heróis e heroínas, por todos os lugares bonitos ou feios, por todos os passados, presentes e futuro.
Te amo por mim e por você.
Te amo por que é você que quero amar.
Te amo por todas as estações do ano, por todos os meses e por todos os dias.
Te amo por que é a melhor sensação já inventada no mundo.

17 de outubro de 2009

Glass with art!


Creative..

O que poderia uma garrafa de Heineken vazia virar?
Lixo?

Talvez não!


Clique na imagem para ver com maior qualidade.



Em breve mais novidades!

15 de outubro de 2009

Uma busca através de palavras

O que será que passa na cabeça de certas pessoas escrever e publicar seus mais íntimos pensamentos e sentimentos? Qual o motivo que alguém têm de expor sua meia vida de um mundo particular à pessoas que às vezes ela nem sabe que existe? Talvez seja por que um outro têm um pouco dela e ela possa dividir um pouco de suas emoções de alegria e desespero com frangmentos dela espalhados pelo universo. Talvez alivie o peso de estar viva numa selva de "pessoas humanas racionais" que por vezes são mais ferozes que leões e mais asquerosos que cobras. Pode ser que ela estaja sufocada e sem ar para encher os pulmões por que os outros estão lhe roubando todo. Mas também pode ser que ela não seja daqui e por meio de palavras expostas ao mundo ela encontre alguém que também procura o caminho de casa e lhe faça companhia na volta.

14 de outubro de 2009

Um dedicatória...


A LÉON WERTH

Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo. Tenho um outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança. Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na França, e ela tem fome e frio. Ela precisa de consolo. Se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso.) Corrijo, portanto, a dedicatória:

A LÉON WERTH

QUANDO ELE ERA PEQUENINO


Antoine de Saint-Exupéry

13 de outubro de 2009

Os contos


"Os contos de fadas são assim.
Uma manhã, a gente acorda

E diz: 'Era só um conto de fadas...'
E a gente sorri de si mesma.
Mas no fundo, não estamos sorrindo.

Sabemos muito bem que os contos de fadas
são a única verdade da vida."

Antonie de Saint-Exupéry

Desapego de Memórias


Com o passar dos tempos algumas lembranças se dissolvem e se perde entre as brumas dos acontecimentos e novas lembranças.
Não que um acontecimento novo substitua uma velha lembrança, mas, a evidência por estar mais próximo de um presente "real".
Guardar velhas lembranças como se fosse um objeto de valor, mesmo que sentimental e agarrar-se a estas lembranças como se fossem pessoas pode ser em vão, mesmo nos trazendo boas sensações elas por vezes nos mantém presa há um tempo que não nos deixa andar para frente. Às vezes é preciso se desapegar de certas memórias para que a vida caminhe na direção do futuro.
As lembranças e nostalgias têm de ser como véus semitransparentes, no qual possamos vê-lo sem esquecer que no outro lado ainda há vida.

12 de outubro de 2009

Quartinho de vida.

Um final de tarde.
O céu está branco e parece que irá chover. A mangueira que posso ver da minha janela dança com o sopro doce e frio dos ventos.
Olhando melhor vejo que há várias nuvens, algumas cinzas quase chumbo, outras ainda estão branquinhas com pequenos azuis do céu por trás. Alguns estrondos de trovoadas distantes entram pelo meu quarto fazendo com que o meu estado de tédio alegre fique mais agudo.
No meu mundo, se é que posso chamar assim este pedacinho que é meu, que tem eu. Meu quarto, onde choro minhas lágrimas de amor, de medo e amargura, onde desfaleço meu ódio e cultivo minha alegria, onde eu morro todas as noites para na manhã que vem eu renasça, onde eu descanço minha vida material e espiritual, onde eu coleciono minhas nostalgias da vida e eu mantenho minha bagunça aconchegante. Onde tenho vontade de passar horas e dias, sonhando e rindo, viajando e realizando. É aqui que eu tenho minhas melhores inspirações e meus piores pensamentos. É aqui que eu vivo a luz de velas, na penumbra luxuosa de ser e na delícia amarga de viver.
Estranho falar com tanta emoção de apenas um lugar, apenas um quarto. Um quadrado com paredes geladas e sem graça. Mas são em quartos que metade das nossas vidas acontecem. Provavelmente eu fui gerada em um quarto no qual as pessoas também deviam amar.

Borboletas


"Borboleta pequenina que vem para nos saudar Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira ando no meio das flores procurando quem me queira Borboleta pequenina saia fora do rosal Venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal Borboleta pequenina venha para o meu cordão Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira ando no meio das flores procurando quem me queira Borboleta pequenina sai fora do rosal venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal"

Marisa Monte

Composição: Folclore Nordestino

11 de outubro de 2009

To love!


"Amamos a vida não porque estamos acostumados à vida, mas a amar. Há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre também alguma razão na loucura."

Friedrich Nietzsche

8 de outubro de 2009

A Dança

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

Pablo Neruda


Te amo por que não sei mais não te amar.
Quero te amar com palavras, mas ainda não sei bem.
Te amo com palavras de outros amadores, que dizem por mim
O amor que suavemente sinto por você.

As flores de você

"Por ti junto aos jardins recém-enflorados me doem os perfumes de primavera.
Esqueci teu rosto, não recordo de tuas mãos, de como beijavam teus lábios?
Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques, as brancas estátuas que não têm voz nem olhar.
Esqueci tua voz, tua voz alegre, esqueci de teus olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua lembrança imprecisa. Estou perto da dor como uma ferida, se me tocas me maltratarás irremediavelmente.
Tuas carícias me envolvem como as trepadeiras aos muros sombrios.
Esqueci teu amor e não obstante te adivinho atrás de todas as janelas.
Por ti me doem os pesados perfumes do estio: por ti volto a espreitar os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem."

Pablo Neruda




Un rêver


Esta noite no meu sono pesadamente leve sonhei.
Sonhei um sonho bom. Um sonho real, um sonho que pulsa para tornar-se.
Sonhei que estava na cidade da luz, e caminhava nas calçadas vendo monumentos famosos e extremamente belos. A arquitetura me seduzia, a luz me inundava, o clima me acalentava, as pessoas me olhavam e eu por dentro sorria.
Sonhei que não queria ir embora, que um pedaço do meu lugar era ali. Sonhei que o sonho não vai demorar. Sonhei que este é fácil de fazer.
Acordei com risos e gritos infantis, e logo fiz-me dormir novamente para este sonho nostálgico e suave. Durou mais alguns minutos, mas o mundo me chamava e tive que deixá-lo para a vida real viver e fazer acontecer sonhos de sono.

7 de outubro de 2009

Um fim de tarde silencioso


Peguei-me sentada na varanda num final de tarde cinzenta e chuvosa.
Sentada eu estava serena e empolgada, o cachorro ao meu lado deitou e comigo olhou para as últimas gotículas de água que ainda gotejavam das folhas da trepadeira.
Na grama verde e alta, via flores rosa que haviam caído dos arbustos com a força da tempestade.
Uma brisa leve e úmida batia em meu rosto, trazendo um cheiro doce de chuva primaveril, trazendo também lembranças bonitas de uma idade que não retorna.
O cachorro deitou a cabeça em meu colo e com olhos de sono e preguiça pediu carícias e amor. E como num gesto automático eu me vi acariciando-o, e por momentos esqueci-me de que era um cachorro por que senti uma empatia mais que humana dele para comigo.
Eu ouvia os sons dos pássaros dando adeus para o dia que já ia dormir e o som afobado da respiração do cachorro, que me pediu mais carinho quando retirei minha mão de sua cabeça.
Ele olhou para mim como se entendesse a minha dor e soubesse o que sente a minha alma. Quase me deixei mostrar para ele. A situação prazerosa de entendimento entre mim e um ser quase como eu, foi esplêndida e assustadora. Raramente me acontecem essas experiências. Este instante de tempo quase perfeito e conversa muda foram mais importantes que tentativas de explicações inúteis a alguns seres pensantes racionalmente.
Pode ser que eu tenha tido um surto por alguns minutos, ou pode ser que são essas realidades inventadas que me fazem continuar caminhando sem cair no precipício da falta de vida.
As rosas laranja, amarelas e rosas caíram com o peso das gotas leves da chuva, mas elas pareciam gostar. Estavam sorridentes, dava para ver nos seus olhos. O cachorro apesar de estar com o olhar caído e sonolento também estava feliz, eu senti isso na pulsação do seu coração. E eu apesar de estar na solidão escolhida também estava feliz, estava em harmonia plena a tudo a minha volta, inclusive com o cachorro e olha como homem.

Inútil.

A busca inútil pela vida perfeita dispersa nossa atenção e nos faz perder instantes de perfeição.
Esta busca pela felicidade perfeita e sorriso perfeito é um caminho em vão traçado por pessoas que não sabem ainda o que é a vida.
Passar a vida procurando algo que não existe é uma perda lastimante de tempo precioso. Algumas pessoas morreram antes de morrer pois não chegaram ao inatingível que acreditavam ser atingível. Morreram de infelicidade cômica por não terem chegado ao topo dos sonhos inexistentes e irreais. Morrem todos os dias por decepções normais que a vida cotidiana vos dá.
Acostume-se, a vida não é isso tudo que dizem, e o futuro não é brilhante como os raios de sol refletidos num diamante, mas também a vida não é tão escura e fria como eu costumo dizer. Esta é a maneira que eu costumo vê-la, é a minha maneira gostosa de vivê-la.
Viva a sua maneira, lindamente ou friamente, mas viva no seu tempo e no seu jeito.
Mas eu peço desculpas ao dizer que ninguém nunca morreu com sorriso complacente de felicidade aguda na face.

6 de outubro de 2009



"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."
Friedrich Nietzsche

5 de outubro de 2009

Tomorrow?

Há tempos que penso sobre a vida e a nenhum lugar chego.
A vida passa rápido como a brisa que acaricia as folhas de coqueiros nas praias fazendo as ondas do mar ficarem cada vez maiores.
A vida corre brusca como um vendaval de chuva que chega de repente e molha tudo por onde passa sem ao menos saber por onde está passando.
Na vida passam pessoas como passam os minutos no relógio. Há pessoas que passam como pássaros que simplesmente voam e há pessoas que passam como um pôr do sol quente e alaranjado.
Há pessoas que estão presentes em nossas vidas sem ao menos conhecermos, outras estão presentes sem querermos e algumas ausentes sem nosso consenso.
Algumas acrescentam mesmo querendo tirar, outras não tiram nem deixam, são simplesmente neutras, também há aquelas que sugam e enfraquecem.
Pessoas não são complicadas, suas atitudes tornam a convivência complicada. Palavras e olhares caracterizam uma pessoa, assim como atitudes, sejam qual for a faz como pessoa racional ou não.
Um ser humano é sem querer o espelho do outro. Ao olhar percebemos do que nos agrada ou que nos desagrada. Algumas pessoas refletem mais nitidamente que outras, algumas só vemos um vulto embrumado enquanto algumas não existem reflexos.
Na vida há muitos testes. O que ganhamos ou perdemos ao passar por eles são experiências para melhor vivermos os momentos, sejam eles bons, ruins, difíceis, tristes ou alegres. Não há mais tempo a ser desperdiçado com palavras falsas e olhares macabros de infelicidade mentirosa. Não há mais tempo a ser perdido com palavras sangrentas que cortam os corações alheios, nem tempo de sobra para agir como animais irracionais com a desculpa de que todos os seres humanos são imperfeitos. Não há mais tempo para se viver hipocritamente como se todos fossem seres surdos e cegos. Não há mais tempo de esperar que o mundo exploda para que todos respeitem o próximo independente de quem sejam, se amamos ou não, se conhecemos ou nunca vimos. Não há mais tempo para esperar que você tome melhores atitudes e talvez melhore um pouco sua vida, que por instantes é fútil e intediante.
Não há mais tempo de eu estar aqui tentando mudar pedaços de almas humanas que vagam despedaçadas pelo espaço infinito procurando um estágio final como se a vida fosse um jogo de adolescente.

4 de outubro de 2009

Lembrança Afetuosa

"Houve um grande riso triste
O pêndulo parou
Um bicho do mato salvava seus filhotes.

Risos opacos em quadros de agonia
Tantas nudezes transformando em irrisão a
[ sua palidez
Transformando em irrisão
Os olhos virtuosos do farol dos náufragos."

Paul Eluard

1 de outubro de 2009

Apparition

Stéphane MALLARME
(Paris 1842 - Valvins 1898)


"La lune s'attristait. Des séraphins en pleurs
Rêvant, l'archet aux doigts, dans le calme des fleurs
Vaporeuses, tiraient de mourantes violes
De blancs sanglots glissant sur l'azur des corolles.
C'était le jour béni de ton premier baiser.
Ma songerie aimant à me martyriser
S'énivrait savamment du parfum de tristesse
Que même sans regret et sans déboire laisse
La cueillaison d'un rêve au coeur qui l'a cueilli.
J'errais donc, l'oeil rivé sur le pavé vieilli
Quand avec du soleil aux cheveux, dans la rue
Et dans le soir, tu m'es en riant apparue
Et j'ai cru voir la fée au chapeau de clarté
Qui jadis sur mes beaux sommeils d'enfant gâté
Passait, laissant toujours de ses mains mal fermées
Neiger de blancs bouquets d'étoiles parfumées."

Uma aparição que ganhei de um amor!

29 de setembro de 2009

Pensamentos, palavras e realidade!

    "Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
    Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.

    Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
    Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
    Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
    O resto é uma espécie de sono que temos,
    Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença"

    Alberto Caeiro, 1-10-1917

28 de setembro de 2009

Uma saudade distante...

Bateu uma saudade no peito de um tempo bom e calmo. Um tempo de infância e de ser criança.
Saudade de um tempo em que seu futuro não dependesse das suas atitudes, quando se podia dormir sem se preocupar da hora e do dia. Quando se podia comprar chiclete sem contar as moedinhas e ter medo de faltar no fim do mês.
Ai saudades desse tempo em que eu só possuia pensamentos fantasiosos e mágicos.

27 de setembro de 2009

Welcome again :)

E finalmente chega a primavera... Com ela as chuvas de verão, o calor o céu azul e as flores que encatam jardins e vidas. Essa perfeição imperfeita que é linda mas que incomoda. Nada é lindo demais, nada tem de ser lindo demais. O bonito tem necessidade da existência do feio, precisa ser comparado para ser julgado. O feio por vezes não é feio, pode ser que os olhos que o vê não veja realmente o que ele quer mostrar. A primavera que chega traz cor e luz, contraste e matiz para o cotidiano alheio, colori o preto e branco do inverno de que eu tanto sinto saudade. E o cinza do inverno me faz ter saudades das cores da primavera. Nunca sei o que quero. Por hora quero primavera e por outra sonho com inverno. Queria poder fazer minhas estações, como se fosse mágica, mudar o tempo, as horas, as cores e o clima. Amo a primavera a sua maneira. Amo o jeito como ela chega, devagar e em silêncio, tímida e acanhada colorindo os dias e as horas. Perfuma vidas com variedades incontáveis de outros seres. Não sabe ela o bem que fará a algumas almas que vagam e estão perdidas pelas ruas invisíveis dos sentimentos inebriados e labiríntiticos. Sua chegada é explosiva de calores, cores que por muitos ainda não são vistas.





26 de setembro de 2009

...


"Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só... Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo."
C.L

As quatro estações de Amélie Poulain







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