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29 de setembro de 2009

Pensamentos, palavras e realidade!

    "Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
    Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.

    Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
    Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
    Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
    O resto é uma espécie de sono que temos,
    Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença"

    Alberto Caeiro, 1-10-1917

28 de setembro de 2009

Uma saudade distante...

Bateu uma saudade no peito de um tempo bom e calmo. Um tempo de infância e de ser criança.
Saudade de um tempo em que seu futuro não dependesse das suas atitudes, quando se podia dormir sem se preocupar da hora e do dia. Quando se podia comprar chiclete sem contar as moedinhas e ter medo de faltar no fim do mês.
Ai saudades desse tempo em que eu só possuia pensamentos fantasiosos e mágicos.

27 de setembro de 2009

Welcome again :)

E finalmente chega a primavera... Com ela as chuvas de verão, o calor o céu azul e as flores que encatam jardins e vidas. Essa perfeição imperfeita que é linda mas que incomoda. Nada é lindo demais, nada tem de ser lindo demais. O bonito tem necessidade da existência do feio, precisa ser comparado para ser julgado. O feio por vezes não é feio, pode ser que os olhos que o vê não veja realmente o que ele quer mostrar. A primavera que chega traz cor e luz, contraste e matiz para o cotidiano alheio, colori o preto e branco do inverno de que eu tanto sinto saudade. E o cinza do inverno me faz ter saudades das cores da primavera. Nunca sei o que quero. Por hora quero primavera e por outra sonho com inverno. Queria poder fazer minhas estações, como se fosse mágica, mudar o tempo, as horas, as cores e o clima. Amo a primavera a sua maneira. Amo o jeito como ela chega, devagar e em silêncio, tímida e acanhada colorindo os dias e as horas. Perfuma vidas com variedades incontáveis de outros seres. Não sabe ela o bem que fará a algumas almas que vagam e estão perdidas pelas ruas invisíveis dos sentimentos inebriados e labiríntiticos. Sua chegada é explosiva de calores, cores que por muitos ainda não são vistas.





26 de setembro de 2009

...


"Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser. E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério. Sou uma só... Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo."
C.L

As quatro estações de Amélie Poulain







25 de setembro de 2009

Solidão natural







O frio solitário e sem cor acalenta a alma destes que a aderiram. Parece dolorido e triste, mas o que dói alivia e o frio revive. O solitário ama sua solidão, por isso a mantém. A solidão que dá vida a um coração cheio de sonhos e idéias, é necessária esta fria e cálida solidão, que cobre o corpo da vivência e a faz respirar. O frio congelante não congela almas e corpos de solitários por escolha. Só quem sabe viver esta solidão rodeada de vidas e vozes entende o que digo. Enquanto todos buscam vidas coloridas e quentes para compartilhar mesquinharias e adorações ao ego, o caçador da solidão busca não o egoísmo propriamente dito, mas busca no fundo da tua alma o que poucos se lembram que existe. O solitário busca companhia na única companhia que o jamais abandonará, o próprio eu. O frio empurra o caçador para dentro de um abismo chamado universo de si e o faz ver um mundo cheio de vidas, coloridas e frias, quentes e preto e branco. É aí onde o solitário por natureza se encontra e encontra o que sempre caçou.
A solidão cinzenta e molhada é parte natural de alguns seres nascidos em um mundo onde a solidão é rejeitada por todos.

Bom dia e uma ótima sexta feira a todos!



23 de setembro de 2009

O dia, a noite e o amanhã!

Depois de um longo dia de muitos pensamentos (acadêmicos ou não), de uma pitada de desespero por que em certos momentos o tempo não passa, ele voa, e a agonia de vê-lo passar e não poder fazer nada, me dá uma angústia e me sento "inútil" diante do poder da vida. Depois de um dia de dores, calores e frios chega um momento que tudo para. Para por que tem que parar. Parar pra acalmar o corpo e o espírito. Tudo silenciosamente para, simplesmente para eu relembrar de quem sou, lembrar do que é minha essência. Por momentos os minutos e as horas nos faz esquecer-nos de quem somos, o que não é totalmente ruim, mas ter consciência de saber quem somos é prazeroso e alegre. Saber que depois de um dia como o de hoje, apesar de ter esquecido de tudo que existe no mundo e não ter nem ao menos percebido que estava viva, chega um momento que eu me reencontro e me sinto, e isso apazigua minha dor de não ter mais tempo de saber quem sou.
E o melhor por mais estranho que pareça é chegar na minha casa, sentar na minha cama, ouvir a minha música, ler meus poetas e escrever sobre poesia que foi meu dia.



"Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."

Fernando Pessoa, 1931.

22 de setembro de 2009

Esperar o hoje...


Esperemos

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

20 de setembro de 2009

Amo como meu amor me faz amar!

Amo pouco, mas amo intensamente. Amo com o coração e enxergo com os olhos da alma.
O pouco que amei, amei fortemente cada pedaço, cada segundo. O pouco que agora amo, amo com equlíbrio de mim e tu. É um pouco do que é infinito, um infinito indizível e eterno. Amo como o ama o amor. Amo como tem que se amar. Amo com a alma, com o corpo, com o coração, amo como a vida tem que ser amada.
O amor tranquilo dos seus olhos que são como dois universos me inquietam e me tranquilizam. Este amor é um mundo paralelo entre mim e ti.
Um ti que completa o mim, e o mim que completa o ti.
É o que me equilibra e faz-me pensar menos racionalmente possível.
Este é amor que me faz exergar teu eu mais profundo e escondido, espanta-me ao ver que vejo muito mim em tu e espanta-me mais ainda ver tu em mim, como se fosse parte e já fizesse parte. Sinto nostalgia de horas de ontem, o que me faz ter mais ânsia de estar ao seu lado.
Este é o amor que me faz amar-te por tudo que é a tua essência, por tudo que eu vejo e sinto que mais ninguém vê. Alcançei o inalcançável por muitos, pois tudo que sinto é simplesmente o néctar de um amor puro, sublime e infelizmente inocente.

Je t'aime pour toutes les femmes que je n'ais pas connues...
Je t'aime pour toutes les hommes que je n'ais pas connues...
Je t'aime pour toutes ma vie et pour toujours.

Sonhos e Sonhos

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser.

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,
Mas poderia eu levar para outro mundo o que esqueci de sonhar?”

F.P

19 de setembro de 2009

Morte do amor

"O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho"

Anais Nin

Incerteza da alegria alegremente triste...

Não sei mais pensar sem poesia.
Não sou poeta, sou um ser que pensa, somente pensa e agora pensa com poesia.
Escrevo para não morrer, escrevo para tirar de dentro tanto prazer e agonia.
As palavras poéticas que voam na mente conturbada e calma acham que felicidade plena é um vazio. Um vazio bonito porém oco.
Quero a minha loucura para ser eu. Minhas palavras de poesia insana e abusadas me dão calor e frio, e preciso delas para continuar a jornada.
O perfeito é intediante e bonito demais para mim, apesar de gostar da beleza sinto que preciso de um caos.
Da poesia melancólica e abismada surgem céus e infernos , fazem o esplendoroso encontro do mim e do eu. Do mim que não lembro que existe e do eu que não quero que exista. Assusto-me!
E fico com medo de mim. Penso que falo sobre coisas tristes demais, amo a palavra melancolia, penso e reflito sobre ela, mas não sou tão triste assim. Tenho meus "hiatos" ,entre felicidade extrema e a tristeza de tamanha necessidade (para mim).
Amo toda a bagunça que existe no meu quarto interno da alma. Esta confusão de sorrisos e lágrimas e esse caos de liberdade que me prende.
Não sei mais viver sem. Não conseguiria manter-me viva por mais algumas horas se não me houvesse essa ponta de desespero saudável e esta felicidade que me envenena.

18 de setembro de 2009

Corações da primavera outonal


Caminho observando os jardins das casas antigas... Nas casas há plantas, flores e folhas secas A chuva faz falta para o jardim e o faz ficar marrom dourado e triste Penso comigo se a chuva também faz isso com o coração das pessoas antigas Há corações marrons e tristes, coloridos e tristes e iluminados e tristes O que falta para estes corações ficarem alegres e esplêndidos como jardins na primavera? O outono faz cair as folhas e seca as flores nos privando por longos 3 meses de melancolia e falta de cor. A primavera nos traz a cor a vida e a alegria dos jardins, logo depois do inverno onde estava tudo congelado e frio. Será que todos os corações estão felizes e coloridos nas primaveras ou eles só se fantasiam de acordo com a estação? Creio eu que existem corações com outonos e primaveras, floridos e secos todos os dias de todas as estações de todos os anos. Corações são paradoxais, indo e vindo sorrindo e chorando, cantando e silenciando. A vida do coração é paradoxa a vida do dono, têm praticamente vida própria e teima em mandar sem ser convidado. O outono vêm e toma os jardins verdes e iluminados pelo verão, tira a cor e a vida ,assim como a própria vida faz com a vida. Seca, resseca, suga e mata, chega um dia que a força da primavera não é suficiente para ressucitar velhos jardins, assim como não ressucita corações antigos e estasiados.



Pam

One Fairy for each one of us...

There is one fairy for each one person in the universe and each one is really diferent and special from each other. Everyone has your magic and your own nature.
Coloring and protecting, the fairies are necessary for the world even if just on our imagination.
Take the fairy that exist in your heart and make this a better life.





17 de setembro de 2009

O olhar alheio...

    "O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E de vez em quando olhando para trás...
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
    E eu sei dar por isso muito bem...
    Sei ter o pasmo essencial
    Que tem uma criança se, ao nascer,
    Reparasse que nascera deveras...
    Sinto-me nascido a cada momento
    Para a eterna novidade do Mundo...

    Creio no mundo como num malmequer,
    Porque o vejo. Mas não penso nele
    Porque pensar é não compreender...

    O Mundo não se fez para pensarmos nele
    (Pensar é estar doente dos olhos)
    Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

    Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
    Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
    Mas porque a amo, e amo-a por isso
    Porque quem ama nunca sabe o que ama
    Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

    Amar é a eterna inocência,
    E a única inocência não pensar..."

    Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914


15 de setembro de 2009

Recado para o mundo...

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

Fernando Pessoa

14 de setembro de 2009

O hoje de ontem

Hoje brinquei de infância.
Corri livre e flutuei como pluma leve no ar, sem pesos na alma.
Gargalhei como criança inocente e ri do adulto fútil.
Voei no balanço do parque e a brisa fresca do calor do inverno bateu no meu rosto e fez sentir-me como se estivesse experimentando o melhor prazer.
Sorri. Sorri e fiquei triste. Existe criança em mim, mas não sei se posso ser.
O êxtase durou alguns minutos eternos e a nostalgia doce da inocência e ingenuidade da infância tomou-me e me senti viva. Viva e melhor. Melhor e pura.
O homem tem a idade que se permite ter, tem a idade de seu sorriso.
Hoje tive a idade de quem se permite sentar-se no balanço e absorver cada riso, cada palavra e cada gesto. Esqueci-me do mundo, e ao olhar para o céu deparei-me com uma grande imensidão. Um infinito com cor de grafite, pontos luminosos no qual chamamos de estrela e pequenas nuances brancas de nuvens fofas e calmas.

Carpe Diem


"Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero."

"Olhe o dia, confia o mínimo no amanhã
Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses
darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia
não brinque. É melhor apenas lidar com o que se cruza no seu caminho
Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último,
que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar
Tirreno: seja sábio, beba o seu vinho e para o curto prazo
reescale as suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento
está fugindo de nós. Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã."

Horácio


13 de setembro de 2009

Um universo particular...

Quero viver cada momento, cada instante como se fosse o último segundo vívido da minha vida.
Quero sentir que o amor pulsa e que a alma dele necessita.
Quero olhar, sentir cada gota de chuva, cada pedaço de terra molhada como se isso fosse o mais extraordinário acontecimento do universo.
Amo me sentir minúscula diante do que é tudo isso que não sei. Não quero viver sem mistérios, não quero morrer sabendo de tudo, mas quero morrer sabendo que não sei de nada.
Não saber de nada me dá melancolia, mas também me dá satisfação. O prazer do descobrimento é incomparável a qualquer outro prazer humano. Descobrir não é saber, é simplesmente entender. O entendimento completa a alma, e completa os seres, e que fazem seres se completarem. Existem seres que não possuem este dom do entendimento. É surreal, irreal, está além do material e do palpável. Os vivos que tem entendimento se reconhecem, pelo olhar, pela visão invisível dos olhos, da íris. Esta é a visão de além alma, é simplesmente ver com os olhos fechados.
Quero escrever todas as loucuras e pedaços de mim em papéis velhos rasgados, quem sabe assim, o mistério de ser eu é aos poucos descoberto.
Eu amo meu universo, mas também o odeio. Ele é simplesmente infinito e incompreensível. Às vezes me perco dentro dos meus caminhos. Quero seguir para um lugar, porém quando percebo estou do lado oposto de mim.
Quero sorrir, mas choro. Quero chorar, mas morro. Quero dormir, mas a agonia da minha essência não me permite.
Na verdade não sei o que quero. Acho que quero tudo, mas não quero nada. Tenho tudo, até um mundo, um mundo que eu criei. Um universo que eu moldei, do jeito que eu achava que realmente queria. E agora, reclamo deste mundo. Ele é perfeito demais para mim e isso me incomoda e me faz querer sentir um pouco as coisas imperfeitas da existência.
Sou imperfeita, mas por vezes quero chegar a um clímax de perfeição, e neste caminho novamente me perco e torno-me mais imperfeita que já sou.
Reflete em mim tudo que tem em você, eu sei o que se passa no teu coração. Ele é vazio de tão cheio, e assim como eu você busca algo que ainda não sabe, mas espera achar um algo que o satisfaça o resto da vida. Como se fosse uma pílula da satisfação e que seu efeito jamais termine.
A redescoberta de hoje, é que por tudo que eu tenha e por tudo que eu quis e tenho, eu ainda quero mais, é como se fosse um peixe num grande aquário, onde se tem tudo, mas não é o mar. E ele quer o mar, e vai querer o oceano e vai querer todo o planeta água, e vai querer até não existir mais o que querer, e ele vão entrar em desespero e vai morrer de angústia de saber que apesar da imensidão é tudo tão pequeno e inalcançável.
Descobri que os seres são contraditórios e incoerentes.

Le temps de cerise II

"J'aimerai toujours le temps des cerises :
C'est de ce temps là que je garde au coeur
Une plaie ouverte.
Et dame Fortune, en m'étant offerte,
Ne pourra jamais fermer ma douleur...
J'aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur."

Sempre adorarei o tempo das cerejas:
Guardo desse tempo no meu coração
Uma chaga aberta.
E mesmo a Fortuna, dada de oferta,
Jamais poderá tirar-me esta aflição...
Sempre adorarei o tempo das cerejas
E esta memória no meu coração.

12 de setembro de 2009

"É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi o transcendentalista que passava a raios X os nossos verdadeiros estados de alma."

Anais Nin

11 de setembro de 2009

Andei...respirei fortemente, mas os ares não penetravam nos meus pulmões.
Pensei! Pensei e olhei para a vastidão do horizonte. As luzes da metrópole brilhando ao longe, o longe que é perto. O grande que é pequeno. O vasto que é minúsculo. E isso me deu uma pontada de desespero. O frio quente que batia nos meus cabelos arrepiavam minha alma e me trazia medo, um medo alegre, um medo de pensar, um medo de arriscar. Por momentos parei, pois não tinha mais forças para dar passos e me faltava ar. A grandeza das loucuras me acalmou e me deu uns segundos de paz.
Sou apenas um ser pensamente que completa o universo. Ou faço falta, ou sobro. Qual dos dois será?
Ainda sinto medo do que sou eu, do que há em mim, e do que eu posso fazer. Sou contraditória, meus ideais raramente batem com minhas atitudes e eu jamais quebro uma promessa.
Será que morrer dormindo é o suficiente para amenizar dores?
Há pessoas que são espelhos uma das outras. Espelhos refletem o contrário, mas também refletem o igual. O igual ao contrário. É real? Será que o espelho é uma ilusão? Será que devo acreditar? Afinal, no que realmente devo acreditar?
Penso, repenso, medito, imagino e simplesmente não chego a lugar nenhum, além do que existe em mim. Este mim é infinito, e creio eu que passarei a vida vasculhando os meus eus , meus opostos e contraditórios. Espero um dia poder encontrar, o resultado desta busca infinita e rara... ou simplesmente dormir eternamente sem respostas e resultados.

Le temps de cerise





10 de setembro de 2009

"A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou nisso. Pois essa impressão também me acompanha por toda a parte. Quando vejo os estreitos limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e como todo o nosso trabalho visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranqüilidade, quanto a certos pontos das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes da sua cela... tudo isso, Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos obscuros e não de imagens nítidas e forças vivas. Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo."

Os sofrimentos do Jovem Werther - Goethe

9 de setembro de 2009

Hoje é dia de Lispector

Em cada palavra pulsa um coração. Escrever é tal procura de íntima veracidade de vida. Vida que me perturba e deixa o meu próprio coração trêmulo so¬frendo a incalculável, dor que parece ser necessária ao meu amadurecimento — amadurecimento? Até agora vivi sem ele!
C.L



Felicidade

"Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam. Me disseram que os aleijados se rejubilam assim como me disseram que os cegos se alegram. É que os infelizes se compensam.Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo para mim significa a desagre­gação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua pol­pa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tem­po em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo tam­bém o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me mul­tiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a idéia de imobilidade eterna. Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide. De agora em dian­te o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje."

Um sopro de vida - Clarice Lispector

8 de setembro de 2009

Ireland

Irlanda.País gélido, cinza e verde. De clima temperado e com fortes preciptações de chuva, chove praticamente 300 dias por anos. O verão irlandês raramente é muito quente, ainda sim com muita chuva. É um páis conhecido, pela sua melancolia fria e por muitos casos de depressão, justamente pelo fato do clima ser sempre preto e branco. A frieza e a melancolia do clima e da cultura irlandadesa me atraem de forma interessante e peculiar, talvez por eu gostar deste sentimento acalentado de solidão e vazio.






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