Este momento pede somente o silêncio gélido da noite clara iluminada pela lua branca que ainda brilha no céu. Um conflito interno que não pede palavras, nomes e conselhos. Não pede nada a não ser a solidão eterna dos sentimentos desconhecidos e desesperados. Quero um sono eterno enquanto precisar e acalanto das estrelas distantes. Quero que haja explosões de pessoas e que o silêncio da mortalidade imortal acalme meu ser. Talvez eu esteja cansada, cansada do que não é meu e do que não sou eu. Desculpe-me, mas não consigo me acostumar com isso tudo que é tudo mas tão pouco para mim.
Há picos na vida no qual somos obrigados a enxergar que precisamos um dos outros para a sobrevivência, não como parasitas e dependentes mas como complementos e extensões. Algumas pessoas são nossas extensões que não conseguimos manter certo contato, pode ser que por haver características fortes em comum os afastem um do outro, ou simplesmente por princípios e "santos" não baterem um com o outro. Algumas extensões são para a vida, uma pessoa não é uma pessoa sozinha. Uma pessoa não é apenas uma pessoa, é um ser. Uma pessoa sozinha, é um apenas um corpo material semi- vivo, ausente de sentimentos e formas. Infelizmente ou não é necessário ao ser humano amar, interagir, olhar nos olhos, ser enganado, ser amado, ser magoado e ser "acarinhado". É necessário ao ser humano ter um parceiro de vida, seje ele um amigo ou um amor, ou pode ser um amor amigo, que muitas vezes não acontece. Percebi a necessidade de um amor amigo, e percebi também que quando é amor é amigo e quando é amigo, é amor também.
O utopicamente continua dormindo, mas como ele também dorme, ele também pode sonhar e isto é apenas um sonho, não leve tão a sério.
Apesar do cansaço diário, do estress de cada trabalho, do tempo louco de cada estação, do engarrafamento nervoso de cada horário, ainda acontecem flashs de filosofias que vêm de cada sinuoso e complexo pedaço interno do ser.
Enquanto caminho e sou molhada por gotas de água que mais parecem estar sendo peneiradas ao cair do céu, meus olhos se voltam para o fim de tarde cinza intercalada por borrões azuis e raios sublimes de luz que aponta ir embora. Sinto as pernas arderem do cansaço e o joelho às vezes até tremem por parecer perder a força. Ainda ando, pois ainda faltam pelo menos 5 horas para as atividades "obrigatórias" do dia acabar.
Senti-me bem apesar da chuva, do frio e da fome que batia levemente em meu estômago vazio. A água até que não estava tão gelada, mas era tão fina que parecia cortar quando chegava rápida em minha face.
Creio eu que este momento de êxtase estranho durou por volta de 10 minutos, interessantemente relembrou-me alguns dias pingados em minha vida.
Não sei ao certo o motivo pelo qual senti essa sensação, talvez para relembrar-me que a vida é um ciclo sem fim, e que as coisas mesmo diferentes acontecem novamente e que somente às vezes percebemos isto.
Não senti como se fosse nostalgia, nem como um suposto "dejá vu", na verdade não senti como se fosse nada. Isso, exatamente isto, nestes minutos eu não senti nada e gostei de não sentir nada.
Gostei da neutralidade espontânea que sempre procurei alcançar, que chegou e durou apenas um momento. Conformei-me em saber que eu possa senti-la novamente somente daqui uns dez anos.
Assim como todo ser humano e todo ser vivo o "utopicamente real" precisa de um leve descanso. Não será eterno, mas será por tempo indeterminado.Boa noite e bons sonhos!Sugestões ou críticas pamela.raraujo@gmail.com
Existem dias que não parecem dias. Mais parecem anos. Há fases de vacas gordas mas também há fases de vacas magras. Há épocas em que nossas vidas parecem estar em total desequilibrio com o universo. Ele não conspira contra nós, mas está andando um compasso a frente. Estas épocas nos desorientam e desnorteiam, cegam, dá sono e cansaço. Essas fases passam, sim! Graças a Deus! Mas são longas enquanto duram. Cansa. Cansa o corpo e o espírito. Os prazeres diários de simplesmente acordar simplesmente desfalece e some, o ânimo de andar e sorrir diminuem e por vezes nem existem. Será isto consequência de que? Creio eu que da vida competida dos dias de hoje. Enquanto tentamos fazer dos dias e das horas dinheiro, o tempo passa o corpo cansa e a alma envelhece. Enquanto a vida perde um pouco da vida, corremos atrás de uma utopia da vida rica e milhonária. Enquanto corremos atrás dessa utopia que pode ser real (com o tempo), perdemos uma utopia irreal que é o simples fato de viver e sorrir, de viver sem sentir dor, de viver com vontade de viver e vontade de acordar. Vivemos isso com o pensamento de sorrir para a vida depois de ter vivido algumas décadas mas com poucas décadas para ainda viver.