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30 de outubro de 2009

Voltas da vida.

Existem dias que não parecem dias. Mais parecem anos.
Há fases de vacas gordas mas também há fases de vacas magras.
Há épocas em que nossas vidas parecem estar em total desequilibrio com o universo. Ele não conspira contra nós, mas está andando um compasso a frente.
Estas épocas nos desorientam e desnorteiam, cegam, dá sono e cansaço.
Essas fases passam, sim! Graças a Deus!
Mas são longas enquanto duram.
Cansa. Cansa o corpo e o espírito. Os prazeres diários de simplesmente acordar simplesmente desfalece e some, o ânimo de andar e sorrir diminuem e por vezes nem existem.
Será isto consequência de que?
Creio eu que da vida competida dos dias de hoje.
Enquanto tentamos fazer dos dias e das horas dinheiro, o tempo passa o corpo cansa e a alma envelhece.
Enquanto a vida perde um pouco da vida, corremos atrás de uma utopia da vida rica e milhonária.
Enquanto corremos atrás dessa utopia que pode ser real (com o tempo), perdemos uma utopia irreal que é o simples fato de viver e sorrir, de viver sem sentir dor, de viver com vontade de viver e vontade de acordar.
Vivemos isso com o pensamento de sorrir para a vida depois de ter vivido algumas décadas mas com poucas décadas para ainda viver.

29 de outubro de 2009

"Des-inspiração"

"Porque, às vezes, acordar tem lá suas muitas desvantagens."

Clarice Lispector

22 de outubro de 2009

Lembrança triste.


    Vaga, no azul amplo solta,
    Vai uma nuvem errando.
    O meu passado não volta.
    Não é o que estou chorando.

    O que choro é diferente.
    Entra mais na alma da alma.
    Mas como, no céu sem gente,
    A nuvem flutua calma.

    E isto lembra uma tristeza
    E a lembrança é que entristece,
    Dou à saudade a riqueza
    De emoção que a hora tece.

    Mas, em verdade, o que chora
    Na minha amarga ansiedade
    Mais alto que a nuvem mora,
    Está para além da saudade.

    Não sei o que é nem consinto
    À alma que o saiba bem.
    Visto da dor com que minto
    Dor que a minha alma tem.

    Fernando Pessoa, 29-3-1931

Sonhar o que?

Põe-me as mãos nos ombros...
Beija-me na fronte...
Minha vida é escombros,
A minha alma insonte.

Eu não sei por quê,
Meu desde onde venho,
Sou o ser que vê,
E vê tudo estranho.

Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.

    Fernando Pessoa

Neura?

Se o desenvolvimento da civilização é tão semelhante ao do indivíduo, e se usa os mesmos meios, não teríamos o direito de diagnosticar que muitas civilizações, ou épocas culturais - talvez até a humanidade inteira - se tornaram neuróticas sob a influência do seu esforço de civilização?

Sigmund Freud

Dandelion.





21 de outubro de 2009

Saudade de Neruda


...Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Pablo Neruda

Timidez.


"A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão."

Pablo Neruda

20 de outubro de 2009

O mundo de Vicent.

A arte torta e complexa de Vicent Van Gogh nos mostra o quanto o seu "eu" era bagunçado, torto, complexo e bonito. A mistura de características antônimas e sensações quase desconfortáveis e aconchegantes, nos faz notar que Van Gogh era homem de alma grande e se perdia entre luas e estrelas, campos de trigo e girassóis, rios e cidades, ruas e flores, quartos e sapatos. Alma grande que não se contentava somente em pensar, o pensar era pouco para o tamanho do mundo existente dentro de si. O pensar o enlouquecia por não poder fazer de seus pensamentos atos, ou talvez a necessidade de se fazer calar a mente e o desespero imediato de se fazer neutro o fazer tomar atitudes e tentativas frustadas e inutéis.
Em ti guardava o mundo, o seu mundo e o
nosso. E eram mundos demais para ele guardar dentro de si e sozinho.
Vicent Van Gogh nasceu na Holanda em 30 de março de 1853 e faleceu no dia 30 de julho de 1890.

19 de outubro de 2009

Um amor atemporal

Te amo por todas as flores desabrochadas na primavera.
Te amo por cada gota molhada de chuva e por cada relva verde que cobre o chão marrom das terras dos jardins.
Te amo por toda brisa fresca de verão e por cada folha seca de outono.
Te amo por todos os pássaros que voam livres no mar do céu azul.
Te amo pelas abelhas que colhem o néctar mais puro e doce de cada única flor.
Te amo por todos os anjos que nos rodeiam com toda sua magia e graça.
Te amo por todo o mistério infinito do universo.
Te amo por todas as histórias do mundo, por todos(as) os(as) criadores(as), por todos os heróis e heroínas, por todos os lugares bonitos ou feios, por todos os passados, presentes e futuro.
Te amo por mim e por você.
Te amo por que é você que quero amar.
Te amo por todas as estações do ano, por todos os meses e por todos os dias.
Te amo por que é a melhor sensação já inventada no mundo.

17 de outubro de 2009

Glass with art!


Creative..

O que poderia uma garrafa de Heineken vazia virar?
Lixo?

Talvez não!


Clique na imagem para ver com maior qualidade.



Em breve mais novidades!

15 de outubro de 2009

Uma busca através de palavras

O que será que passa na cabeça de certas pessoas escrever e publicar seus mais íntimos pensamentos e sentimentos? Qual o motivo que alguém têm de expor sua meia vida de um mundo particular à pessoas que às vezes ela nem sabe que existe? Talvez seja por que um outro têm um pouco dela e ela possa dividir um pouco de suas emoções de alegria e desespero com frangmentos dela espalhados pelo universo. Talvez alivie o peso de estar viva numa selva de "pessoas humanas racionais" que por vezes são mais ferozes que leões e mais asquerosos que cobras. Pode ser que ela estaja sufocada e sem ar para encher os pulmões por que os outros estão lhe roubando todo. Mas também pode ser que ela não seja daqui e por meio de palavras expostas ao mundo ela encontre alguém que também procura o caminho de casa e lhe faça companhia na volta.

14 de outubro de 2009

Um dedicatória...


A LÉON WERTH

Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo. Tenho um outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança. Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na França, e ela tem fome e frio. Ela precisa de consolo. Se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso.) Corrijo, portanto, a dedicatória:

A LÉON WERTH

QUANDO ELE ERA PEQUENINO


Antoine de Saint-Exupéry

13 de outubro de 2009

Os contos


"Os contos de fadas são assim.
Uma manhã, a gente acorda

E diz: 'Era só um conto de fadas...'
E a gente sorri de si mesma.
Mas no fundo, não estamos sorrindo.

Sabemos muito bem que os contos de fadas
são a única verdade da vida."

Antonie de Saint-Exupéry

Desapego de Memórias


Com o passar dos tempos algumas lembranças se dissolvem e se perde entre as brumas dos acontecimentos e novas lembranças.
Não que um acontecimento novo substitua uma velha lembrança, mas, a evidência por estar mais próximo de um presente "real".
Guardar velhas lembranças como se fosse um objeto de valor, mesmo que sentimental e agarrar-se a estas lembranças como se fossem pessoas pode ser em vão, mesmo nos trazendo boas sensações elas por vezes nos mantém presa há um tempo que não nos deixa andar para frente. Às vezes é preciso se desapegar de certas memórias para que a vida caminhe na direção do futuro.
As lembranças e nostalgias têm de ser como véus semitransparentes, no qual possamos vê-lo sem esquecer que no outro lado ainda há vida.

12 de outubro de 2009

Quartinho de vida.

Um final de tarde.
O céu está branco e parece que irá chover. A mangueira que posso ver da minha janela dança com o sopro doce e frio dos ventos.
Olhando melhor vejo que há várias nuvens, algumas cinzas quase chumbo, outras ainda estão branquinhas com pequenos azuis do céu por trás. Alguns estrondos de trovoadas distantes entram pelo meu quarto fazendo com que o meu estado de tédio alegre fique mais agudo.
No meu mundo, se é que posso chamar assim este pedacinho que é meu, que tem eu. Meu quarto, onde choro minhas lágrimas de amor, de medo e amargura, onde desfaleço meu ódio e cultivo minha alegria, onde eu morro todas as noites para na manhã que vem eu renasça, onde eu descanço minha vida material e espiritual, onde eu coleciono minhas nostalgias da vida e eu mantenho minha bagunça aconchegante. Onde tenho vontade de passar horas e dias, sonhando e rindo, viajando e realizando. É aqui que eu tenho minhas melhores inspirações e meus piores pensamentos. É aqui que eu vivo a luz de velas, na penumbra luxuosa de ser e na delícia amarga de viver.
Estranho falar com tanta emoção de apenas um lugar, apenas um quarto. Um quadrado com paredes geladas e sem graça. Mas são em quartos que metade das nossas vidas acontecem. Provavelmente eu fui gerada em um quarto no qual as pessoas também deviam amar.

Borboletas


"Borboleta pequenina que vem para nos saudar Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira ando no meio das flores procurando quem me queira Borboleta pequenina saia fora do rosal Venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal Borboleta pequenina venha para o meu cordão Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal Eu sou uma borboleta pequenina e feiticeira ando no meio das flores procurando quem me queira Borboleta pequenina sai fora do rosal venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal"

Marisa Monte

Composição: Folclore Nordestino

11 de outubro de 2009

To love!


"Amamos a vida não porque estamos acostumados à vida, mas a amar. Há sempre alguma loucura no amor, mas há sempre também alguma razão na loucura."

Friedrich Nietzsche

8 de outubro de 2009

A Dança

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e
Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor, vive oculto em meu
Corpo o apertado aroma que ascende da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim, deste modo, em que não sou nem és.
Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

Pablo Neruda


Te amo por que não sei mais não te amar.
Quero te amar com palavras, mas ainda não sei bem.
Te amo com palavras de outros amadores, que dizem por mim
O amor que suavemente sinto por você.

As flores de você

"Por ti junto aos jardins recém-enflorados me doem os perfumes de primavera.
Esqueci teu rosto, não recordo de tuas mãos, de como beijavam teus lábios?
Por ti amo as brancas estátuas adormecidas nos parques, as brancas estátuas que não têm voz nem olhar.
Esqueci tua voz, tua voz alegre, esqueci de teus olhos.
Como uma flor a seu perfume, estou atado à tua lembrança imprecisa. Estou perto da dor como uma ferida, se me tocas me maltratarás irremediavelmente.
Tuas carícias me envolvem como as trepadeiras aos muros sombrios.
Esqueci teu amor e não obstante te adivinho atrás de todas as janelas.
Por ti me doem os pesados perfumes do estio: por ti volto a espreitar os signos que precipitam os desejos, as estrelas em fuga, os objetos que caem."

Pablo Neruda




Un rêver


Esta noite no meu sono pesadamente leve sonhei.
Sonhei um sonho bom. Um sonho real, um sonho que pulsa para tornar-se.
Sonhei que estava na cidade da luz, e caminhava nas calçadas vendo monumentos famosos e extremamente belos. A arquitetura me seduzia, a luz me inundava, o clima me acalentava, as pessoas me olhavam e eu por dentro sorria.
Sonhei que não queria ir embora, que um pedaço do meu lugar era ali. Sonhei que o sonho não vai demorar. Sonhei que este é fácil de fazer.
Acordei com risos e gritos infantis, e logo fiz-me dormir novamente para este sonho nostálgico e suave. Durou mais alguns minutos, mas o mundo me chamava e tive que deixá-lo para a vida real viver e fazer acontecer sonhos de sono.

7 de outubro de 2009

Um fim de tarde silencioso


Peguei-me sentada na varanda num final de tarde cinzenta e chuvosa.
Sentada eu estava serena e empolgada, o cachorro ao meu lado deitou e comigo olhou para as últimas gotículas de água que ainda gotejavam das folhas da trepadeira.
Na grama verde e alta, via flores rosa que haviam caído dos arbustos com a força da tempestade.
Uma brisa leve e úmida batia em meu rosto, trazendo um cheiro doce de chuva primaveril, trazendo também lembranças bonitas de uma idade que não retorna.
O cachorro deitou a cabeça em meu colo e com olhos de sono e preguiça pediu carícias e amor. E como num gesto automático eu me vi acariciando-o, e por momentos esqueci-me de que era um cachorro por que senti uma empatia mais que humana dele para comigo.
Eu ouvia os sons dos pássaros dando adeus para o dia que já ia dormir e o som afobado da respiração do cachorro, que me pediu mais carinho quando retirei minha mão de sua cabeça.
Ele olhou para mim como se entendesse a minha dor e soubesse o que sente a minha alma. Quase me deixei mostrar para ele. A situação prazerosa de entendimento entre mim e um ser quase como eu, foi esplêndida e assustadora. Raramente me acontecem essas experiências. Este instante de tempo quase perfeito e conversa muda foram mais importantes que tentativas de explicações inúteis a alguns seres pensantes racionalmente.
Pode ser que eu tenha tido um surto por alguns minutos, ou pode ser que são essas realidades inventadas que me fazem continuar caminhando sem cair no precipício da falta de vida.
As rosas laranja, amarelas e rosas caíram com o peso das gotas leves da chuva, mas elas pareciam gostar. Estavam sorridentes, dava para ver nos seus olhos. O cachorro apesar de estar com o olhar caído e sonolento também estava feliz, eu senti isso na pulsação do seu coração. E eu apesar de estar na solidão escolhida também estava feliz, estava em harmonia plena a tudo a minha volta, inclusive com o cachorro e olha como homem.

Inútil.

A busca inútil pela vida perfeita dispersa nossa atenção e nos faz perder instantes de perfeição.
Esta busca pela felicidade perfeita e sorriso perfeito é um caminho em vão traçado por pessoas que não sabem ainda o que é a vida.
Passar a vida procurando algo que não existe é uma perda lastimante de tempo precioso. Algumas pessoas morreram antes de morrer pois não chegaram ao inatingível que acreditavam ser atingível. Morreram de infelicidade cômica por não terem chegado ao topo dos sonhos inexistentes e irreais. Morrem todos os dias por decepções normais que a vida cotidiana vos dá.
Acostume-se, a vida não é isso tudo que dizem, e o futuro não é brilhante como os raios de sol refletidos num diamante, mas também a vida não é tão escura e fria como eu costumo dizer. Esta é a maneira que eu costumo vê-la, é a minha maneira gostosa de vivê-la.
Viva a sua maneira, lindamente ou friamente, mas viva no seu tempo e no seu jeito.
Mas eu peço desculpas ao dizer que ninguém nunca morreu com sorriso complacente de felicidade aguda na face.

6 de outubro de 2009



"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."
Friedrich Nietzsche

5 de outubro de 2009

Tomorrow?

Há tempos que penso sobre a vida e a nenhum lugar chego.
A vida passa rápido como a brisa que acaricia as folhas de coqueiros nas praias fazendo as ondas do mar ficarem cada vez maiores.
A vida corre brusca como um vendaval de chuva que chega de repente e molha tudo por onde passa sem ao menos saber por onde está passando.
Na vida passam pessoas como passam os minutos no relógio. Há pessoas que passam como pássaros que simplesmente voam e há pessoas que passam como um pôr do sol quente e alaranjado.
Há pessoas que estão presentes em nossas vidas sem ao menos conhecermos, outras estão presentes sem querermos e algumas ausentes sem nosso consenso.
Algumas acrescentam mesmo querendo tirar, outras não tiram nem deixam, são simplesmente neutras, também há aquelas que sugam e enfraquecem.
Pessoas não são complicadas, suas atitudes tornam a convivência complicada. Palavras e olhares caracterizam uma pessoa, assim como atitudes, sejam qual for a faz como pessoa racional ou não.
Um ser humano é sem querer o espelho do outro. Ao olhar percebemos do que nos agrada ou que nos desagrada. Algumas pessoas refletem mais nitidamente que outras, algumas só vemos um vulto embrumado enquanto algumas não existem reflexos.
Na vida há muitos testes. O que ganhamos ou perdemos ao passar por eles são experiências para melhor vivermos os momentos, sejam eles bons, ruins, difíceis, tristes ou alegres. Não há mais tempo a ser desperdiçado com palavras falsas e olhares macabros de infelicidade mentirosa. Não há mais tempo a ser perdido com palavras sangrentas que cortam os corações alheios, nem tempo de sobra para agir como animais irracionais com a desculpa de que todos os seres humanos são imperfeitos. Não há mais tempo para se viver hipocritamente como se todos fossem seres surdos e cegos. Não há mais tempo de esperar que o mundo exploda para que todos respeitem o próximo independente de quem sejam, se amamos ou não, se conhecemos ou nunca vimos. Não há mais tempo para esperar que você tome melhores atitudes e talvez melhore um pouco sua vida, que por instantes é fútil e intediante.
Não há mais tempo de eu estar aqui tentando mudar pedaços de almas humanas que vagam despedaçadas pelo espaço infinito procurando um estágio final como se a vida fosse um jogo de adolescente.

4 de outubro de 2009

Lembrança Afetuosa

"Houve um grande riso triste
O pêndulo parou
Um bicho do mato salvava seus filhotes.

Risos opacos em quadros de agonia
Tantas nudezes transformando em irrisão a
[ sua palidez
Transformando em irrisão
Os olhos virtuosos do farol dos náufragos."

Paul Eluard

1 de outubro de 2009

Apparition

Stéphane MALLARME
(Paris 1842 - Valvins 1898)


"La lune s'attristait. Des séraphins en pleurs
Rêvant, l'archet aux doigts, dans le calme des fleurs
Vaporeuses, tiraient de mourantes violes
De blancs sanglots glissant sur l'azur des corolles.
C'était le jour béni de ton premier baiser.
Ma songerie aimant à me martyriser
S'énivrait savamment du parfum de tristesse
Que même sans regret et sans déboire laisse
La cueillaison d'un rêve au coeur qui l'a cueilli.
J'errais donc, l'oeil rivé sur le pavé vieilli
Quand avec du soleil aux cheveux, dans la rue
Et dans le soir, tu m'es en riant apparue
Et j'ai cru voir la fée au chapeau de clarté
Qui jadis sur mes beaux sommeils d'enfant gâté
Passait, laissant toujours de ses mains mal fermées
Neiger de blancs bouquets d'étoiles parfumées."

Uma aparição que ganhei de um amor!
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