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27 de janeiro de 2013

XVIII

"Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as ladeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si tendo pena..."


Poemas Completos de Alberto Caeiro

22 de janeiro de 2013

Os Ipês de Janeiro.

Não é de costume natural os Ipês (árvores típicas do Cerrado brasileiro), florescerem em pleno mês de janeiro. A normalidade é a floração acontecer de junho a setembro, quando já não chove, a terra trinca de secura e o céu um azul misturado com o vermelho terra-cota da poeira que dá um efeito "vintage" e envelhecido da paisagem.
Esta semana porém, acontece algo de diferente e me deparo com um Ipê Branco médio, ainda não muito adulto começando a florescer. Algumas folhas já secas em cor de vinho, já caídas no chão e algumas das florezinhas brancas perfumadas no topo da copa que deve medir no máximo uns 4 metros de altura. O cheiro é agradável e deixa o frescor da manhã úmida de janeiro mais gostoso e anormal. Dá vontade de por ali sentar, ler um livro e ficar até cansar de fazer nada. Sinto saudades dos Ipês floridos robustos contrastando com o mato dourado do Cerrado e que apesar de seco e desconfortável, está mais perto do céu. O Ipê branco, apesar de florido fora de época, continua especialmente formoso e atrativo. Pena vê-lo tão sozinho e despercebido.

7 de janeiro de 2013

Santa Bárbara.

O ano de 2013 foi embora como chegou, totalmente despercebido. Passar estes dias longe da civilização, da internet, de pessoas, acabou não me fazendo ver que não senti o ano chegar como na maioria dos anos, vendo fogos, estourando champagne, desejando felicitações e feliz ano novo por mensagens de celular ou redes sociais. Confesso que foi bem melhor assim, deixei 2012 em um dos lugares que considero um dos mais belos do mundo ao lado de pessoas que gosto muito e de pessoas que vivem o contrário de minha realidade. Posso dizer então, que deixei 2012 bem satisfeita. 
Nosso grupo de viagem aumentou de quatro para nove, dois casais chegaram e fizemos o passeio para as cachoeiras dos Kalungas juntos. Há uma pequena comunidade Kalunga (para quem não sabe, os Kalungas fazem parte de uma comunidade Quilombola que chegou na região de Cavalcante fugidos de cativeiros escravos), esta comunidade fica a mais ou menos 30km da cidade, porém, há outra comunidade Kalunga, mais isolada. Este passeio ainda não fiz, requer tempo e mais preparação física e psicológica, pois são alguns dias de caminhada, travessia de rio, muito sol da Chapada. Um dia irei!
O primeiro contato que tive com esta comunidade (que desde 1991 é Patrimônio Cultural Kalunga, reconhecido pelo estado do Goiás) foi em 2008, quando fiz minha primeira visita a cachoeira Santa Bárbara. E a cada retorno, sinto tudo mais forte batento no mundo, desde então, considero este, como já disse, um dos lugares mais lindos que já fui. 
Chegamos de manhã e claro que a fama da bela cachoeira correu pelo mundo e estava lotado de gente, pelo menos quase o triplo das outras vezes que fui, apesar de ser janeiro e chover (a melhor época para visitar este local é de maio a setembro quando é época da seca, a água verde esmeralda fica totalmente lindíssima).
A caminhada antes era de 3,5 km, porém, este ano tive uma surpresa boa (ou talvez não), foi possível chegar mais perto de carro, o que diminuiu a caminhada para apenas 1km. Mesmo assim o sol castigou e foi preciso muito protetor solar e guarda-chuva. 
Foi uma linda manhã, nadei nas águas geladas da Chapada como uma legítima peixa e por mim, teria ficado por ali o dia inteiro (mas ainda tínhamos mais algumas cachoeiras para conhecer). Nunca senti essas águas mágicas, puras, divinas renovarem tanto meu espírito e a cada vez que penso, sinto a sensação de cada mergulho! Nostalgia!
De resto, o resto não importa muito. Sol, caminhadas, risadas, saudades, amigos, mergulhos, natureza, fim de mais um ano, final de mais uma etapa que foi lindamente vivida!

2008, eu e a Kalunga filha do chefão da comunidade.

2009



Algumas das crianças Kalungas que consegui reunir para uma foto (L)
O Ramon!


La felicità 














2013 chegando!

3 de janeiro de 2013

Últimos de 2012, Cavalcante, GO.

Mesmo sem muito dinheiro por aqui, resolvemos passar o ano novo bem longe de Brasília, o que para nós daqui, significa sair de um ano e entrar em outro com energias mais puras e especiais, pois passar o ano novo em Brasília é depre total!
Resolvemos com um novo casal amigo (Anita e Henrique) de passarmos alguns dias em Cavalcante, uma cidadezinha que aparece por aqui desde 2008. Chegamos no sábado a noitinha e aproveitamos a noite da Chapada para apreciar o céu e começar a preparação para findar o ano de 2012. 
A primeira cachoeira escolhida para conhecer foram as do Rio Prata, o objetivo era chegar na principal Rei do Prata, que sempre tive muita vontade de ir, mas pela distância nunca foi possível (cerca de 70 km de carro de Cavalcante) e mais 7 km a pé. Depois de muito tempo no carro, um pneu rasgado, chegamos no local das cachoeiras. Conhecemos 4 cachoeiras ao total, porém, não tivemos tempo suficiente para alcançar a última mais sonhada. Esta vai ficar para uma próxima vez, quando tivermos tudo preparado para fazermos o camping durante pelo menos uma noite. 
As cachoeiras do Prata são incríveis, lindíssimas e com poucos turistas (o que para mim é a melhor coisa, pois cachoeira com muita gente não dá). Água super geladinha como sempre, mas como o calor estava enorme, cada mergulho foi delicioso. Para o acesso a 3º e a 4º cachoeira foi preciso fazer uma pequena escaladinha básica que eu ainda não sei como consegui e se minha mãe visse, ia dar uma bronca, mas pelo visual, valeria qualquer bronca, pois as duas eram imensamente lindíssimas. Porém, só tenho fotos da 2º, a bateria da minha câmera acabou e aí para minha tristeza, não pude tirar tantas fotos!
Muito calor, muito sol, muita água, muita alegria, muita estrada, muita terra, muito Cerrado e muuuuuita energia 100% pura. 
O dia terminou tarde, depois de sustos de caminhoneiros doidos pela estrada de terra e um céu maravilhoso e totalmente misterioso. Este dia, deitamos no chão e olhamos as estrelas, milhões delas, algumas estranhas e misteriosas, uma lua enorme que iluminava toda a terra, até avistarmos uma luz que não era estrela, nem um satélite, nem um planeta. Talvez um ovni (eu juro que não tinha ninguém bêbado, nem fumado, nem chá de cogumelo). O céu se encheu de nuvens, raios sem trovões e a luz misteriosa sumia e aparecia quando queria. Ficou o ponto de interrogação e uma experiência interessante!
Todos mortos foram dormir o último dia do ano seria lonnnngo! 

 


















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