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10 de agosto de 2013

Não me desvencilho dos poetas. É mais fácil viver o vazio da existência que a vida sem as palavras individuais.
Os campos distantes são memórias, os pastores ignorantes são felizes por não precisarem das horas. Hora maldita que me poda a vida. 
O sublime céu azul me aclama, a essência me chama.
O mar é longe, apesar de presente, grita por falta de mim. O oceano das  chamam-me de volta. 
Sinto irritação da vida. Ela roça como arame que machuca, arde às vezes como quem quer matar e deixar vivo. 
As palavras me faltam por ter muito a dizer. Irrito-me por ter, por não ter, por poder, não poder, por estar aqui ou por não estar em lugar algum. 
Posso eu um dia ser, o que realmente sou? 
Sou vazia, sou pouca. Busco o medíocre esquecimento das coisas minúsculas.
Tenho medo do que falar. Tenho receio do que pensar. O que será que vão pensar destas palavras ditas no silêncio da necessidade? Pergunto-me a mim, o que será dos viventes quando a cegueira passar. 
As palavras segundas já não me bastam, é necessário fazê-las. Arranca-las de dentro da concha como se fosse bicho. Bicho vivo que come, respira e caga. 
Arranco-as como posso. Dói tirá-las. Parece parto de coisa que não chora. 
Há conturbações entre o processo de retirancia, palavra inventada, assim como a vida que vivo. 
Vivo a falsidade que posso. Não posso ainda fingir que sou satisfeita, até na mentira, ainda não tenho o que finjo querer. O que quero eu?
Perdi-me. Sou duas? Qual dos eus? Tenho outro eu?
Esquecido como o sossego, que existia há alguns anos atrás e hoje perde-se entre os deveres, há o que sou de verdadeiro. É preciso escondê-lo, como quem se esconde do frio no inverno, tem de sobreviver. 


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